Dig, Lazarus, Dig
Outubro 5, 2009
Cada indivíduo possui uma relação distinta com a vidinha mallogra. Embora não sejam muitos os que sequer conseguem perceber se estão envolvidos em alguma mallogración, ou o quão envolvidos podem estar, é certo que há momentos precisos em que a força primordial se manifesta de forma brutalmente poderosa e, às vezes, reveladora. Isso para todos, sem exceção. Se é possível qualificar o substantivo Mallogro, o adjetivo ideal seria democrático.
Partindo de que todo mundo mallogra, proponho dividir neguinho de acordo com a época das vidas em que a mallogração começou a ter efeito prático e visível. São categorias ilustrativas para o único tipo de gente que existe: o humano Mallogro. Fique atento para sacar que, na soma final, tanto faz quando, onde ou como você começou a mallograr. Destino existe, mas não é controlável. Ninguém tem culpa de nada e o fim de cada um acaba sendo o mesmo. As combinações homem vs ação vs universo são infinitas. Não imagino o tipo de gente que tem frequentado isso aqui, mas todos são convidados a contribuir com exemplos nos comentários.
Posso citar aqueles que são abraçados pela aura mallogra logo no início da vida e seguem mallogrando ininterruptamente até morrerem, jovens ou velhos. O que caracteriza esse tipo de neguinho é a presença constante de merda e desgraça durante a vida. Nada anormal. Da perda da perna em Cachoeiro às incursões pelo rap, Roberto Carlos, o Rei, tem sido exemplo vivo desse tipo de gente tão íntima da força primordial – não tão íntima quanto os que já nasceram fodidos, outro possível grupo.
Se RC adquiriu problemas físicos e mentais seis anos depois de ter vindo à vida, existem, também, os que nasceram defeituosos. Não quero citar os aleijados pernetas cotós retartados portadores de necessidades especiais, pois não pretendo iniciar discussões idiotas sobre preconceito e inclusão social, apesar de o mendigo deficiente que apedreja os transeuntes na comercial da minha quadra ser uma ótima ilustração para esta categoria. Melhor usar um bróder hipotético que tenha nascido feio. Narigudo. Por isso, zoado. Por isso, traumatizado. Por isso, pode ter começado a ter ideias sinistras. Não seria grande surpresa se, ocasionalmente, começasse a participar de uma seita que venera etês e busca a imortalidade através de um mix de crenças bizarras. Não o culparia por matar dez inocentes num atentado sinistro num shopping em nome de um etê diabólico ou por não ter feito alguma terapia antes que isso ocorresse. Essa é mais uma categoria possível e pode até coexistir com a anterior.
E se, por algum acaso, talvez por milagre, a pessoa não se deparasse com a presença mallogra até o fim da vida? É óbvio que quem não mallogrou sequer uma vez antes de morrer está sendo mais mallogro que os bróders mallogreiros véios de guerra. Isto porque neguinho está sendo mallogro ao não mallograr. Se você não mallogra, invariavelmente estará entrando num fight contra a força primordial, contra o universo ou, se preferir, contra seu próprio deus, e, portanto, estará, sim, mallogrando. O número de vírgulas na última frase atesta que, ao mesmo tempo em que tomei cuidado para não mallograr contra a gramática, criei uma frase escrota, feia pra cacete. Correta, mas mallogra.
Ignorance is bliss.
Update: A seguir, posts mais curtos.
