(Nunca duvide da) Filosofia de boteco
Setembro 14, 2009
Ser cético é mallograr no mesmo nível que visitar uma cartomante na W3 Sul. O que seria pior: acreditar cegamente ou duvidar teimosamente do que não pode ser comprovado por cientistas, estes caras que são humanamente mallogros como todos os outros? O cético e o crente saberiam responder à pergunta, talvez a maioria das pessoas. Para mim, no entanto, seria mais fácil responder ao clássico Dilema de Neguinho: “dar o cu pra uma mina ou beijar a boca de um mendigo?”.
A falta de uma explicação científica não acaba com a discussão. “Ausência de evidência não é evidência de ausência”, disse Carl Sagan, talvez o mais importante debunker e cético da história científica moderna, reconhecendo as limitações dadas pelos nossos cinco sentidos. Ele estava à frente de Harry Houdini que, anos antes, achou que pudesse desbancar todos os charlatões e místicos do mundo. Depois de ganhar um Emmy (!), trabalhar para a NASA antes/durante/depois da corrida espacial, receber um Pulitzer de literatura e ser comparado por muitos com os grandes pesquisadores de todos os tempos, Sagan sabia que o homem não é capaz de compreender uma mínima parte do Universo. Houdini, o mágico-mithbuster dos anos 1920, acabou morrendo mallogramente após um número. Cheio da grana, se deixou levar pela ciência.
Quem disse “DUVIDE DE TUDO” não sabia que estava sendo, sem querer, a pessoa mais irracional do planeta. A ideia de que o homem pode compreender as coisas da forma como elas são é romântica. Não temos o aparato para isso, nunca teremos. A ciência é mallogra. É humana. Nós não sabemos nada sobre nós mesmos; menos ainda sobre o universo. Nunca saberemos. Perto do infinito, não somos tão distantes de um aminoácido.
Nunca duvide de nada.

uau, aula de história malôgra.
i want to believe
Não apenas de história mallogra, mas de história da epistemologia mallogra.